SEMANA NAMORADOS - PARTE 5: Entrevista ELA




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Drikka (37 anos, dona de cafeteria), concedeu entrevista sobre o universo BDSM





Corujice: Como você explicaria o que é BDSM para alguém que nunca ouviu falar?

Drikka: Um relacionamento consensual. Uma maneira de aprender sobre o seu corpo e a sua mente. Algumas pessoas aprendem o seu papel de controle fazendo esportes, yoga e outras coisas. Eu aprendi os limites do meu corpo e da minha mente pelo BDSM. Através do BDSM sei o que é controlar meu corpo, saber o que a outra pessoa deseja e nosso papel neste relacionamento. Não apenas sexual, mas também como me comporto com outras. Pode parecer imbecil, e podem dizer que eu aprendi coisas banais como: me relacionar com o meu corpo e outras pessoas através do BDSM. Mas cada um aprende de uma maneira. E saber como ter controle e dar prazer a outros, é uma método de respeito. É saber que o prazer do outro vem antes do seu. 

CL: O que levou você a entrar neste universo? Qual seu papel nele?

DR: Entrei por curiosidade. Nunca tive inibição com o meu corpo e em aprender. Não tive um namorado ou problemas de família e abuso como dizem.Tive curiosidade e fui atrás. E na época tinha um amigo (ex namorado), que foi minha vítima. Ter alguém para te ajudar a entrar neste mundo foi o certo. Não saia por aí buscando como nos filmes. O BDSM não está em locais sombrios e em um universo como dos cinemas. Você pode acabar caindo em arapucas. Leia bastante e tenha um amigo ou amiga de verdade. Mais que ter um marido, esposa ou amante, a pessoa tem que ser amiga e parceira. Eu sou uma Dom por natureza. Gosto do controle. E muita gente acha que ser dominador ou dominadora é ter prazer para si. Não é verdade. Ser dominador ou dominadora é conhecer o prazer do corpo e ajudar a outra pessoa a conhecer o seu potencial.
 

CL: Os livros da trilogia “50 Tons” foram responsáveis pelo boom de livros do gênero. Qual a sua posição quanto ao que é tido como BDSM no livro?

DR: Negativo. 50 Tons não é um livro de BDSM. Não chega nem perto do que é o BDSM e um relacionamento. Sr. Grey é apenas um homem com problemas e complexos, enquanto sua parceira também é cheia de complexos. Em um mundo real, nenhum dos dois sentiria atração um pelo outro. O livro é longe do ideal para se ensinar relacionamento a meninas e meninos. Apenas que um homem que sabe fazer sexo forte é viril e tem pegada. E que toda menina tem que ser submissa. E é totalmente longe do que é o BDSM. Onde as pessoas possuem um caráter forte e sabem o que desejam. E que o prazer está longe de uma estrutura social e aristocrática. Não é o dinheiro e o poder que exercem o fascínio no universo BDSM. É a pessoa. Tanto faz se ele é rico ou um simples empregado de fábrica.

CL: Por mais que os livros “50 Tons” não descrevam o que realmente acontece no universo BDSM, eles levaram as pessoas a lerem e se interessarem pelo assunto. Acha isso válido?

DR: Acho. Mas elas se decepcionam. Porque procuram o Sr. Grey e não encontram. E não entendem o que é o mundo BDSM. Acham que amarrar e dar tapinhas ou tapões é o universo BDSM. Não, não é! Nem todos os praticantes gostam de usar os chamados brinquedos ou tapas. Fechar os olhos com venda etc. O que acho válido, é a abertura que as mulheres tiveram com seus parceiros. Em admitir que desejam sexo e que o papel não é apenas do homem em dar prazer. Mas isto sempre existiu. Por isso muitos homens até buscavam prazer fora do casamento atravé de prostitutas ou amantes. Porque o prazer não é apenas do homem. O que sempre digo para mulheres que reclamam de seus maridos na cama ou da falta de carinho deles é: você dá prazer para ele? Já conversaram abertamente sobre sexo? Já disse o que você gosta? Não! Elas acham que é obrigação do homem dar o prazer. E que eles, como machos dominantes, tem a receita para tanto. Não, não é. Por isso, 50 Tons não é o livro ideal e não trouxe nada de positivo. Apenas mais conflitos. Porque o ideal é quem está ao seu lado e não o que está no livro. Tem mulheres e homens que se encontraram pelo livro, ótimo. Mas a realidade não é essa.

CL: Para acontecer uma relação BDSM, é necessário que seja “são, seguro e consensual”. Existe um contrato ou acordo feito entre as duas partes? Como é definido o que pode ou não ser feito?


DR: Varia de parceiro para parceiro. O acordo é uma segurança para o casal. É uma definição de onde até eles podem ir. Conhecer e respeitar os limites. Um acordo BDSM não é um casamento ou dizer que “sou sua propriedade”. Para alguns, os que nem são namorados, é uma maneira segura de dizer que cada um respeita o seu corpo e não fará sexo com outras pessoas, o que pode trazer problemas como alguma doença sexual e uma gravidez indesejada. Não é como nos livros, que parece mais um acordo com o demônio. Na minha opinião, um acordo que me obriga a vestir e comer o que o amo deseja, é ridículo. É estrapolar o limite e querer controlar tudo no aspecto da vida da pessoa. Até existem pessoas que fazem isso, mas eu não gosto. Acho que não é uma regra ter que fazer um contrato por escrito. O contrato, é como qualquer relacionamento. Nenhum casal quando começa a namorar escreve em um papel e depois assina o que devem fazer. É apenas uma conversa diária. É conhecer os gostos de cada um e seguir este conhecimento. É esta a magia do BDSM. Dizer para a outra o que é bom e fazer ela conhecer e experimentar. Fazer ela imaginar, brincar com os sentidos e transformar isso tudo em um ato de prazer.

CL: “Sexo baunilha”, romance, carinho. Isso existe em uma relação dominador-submisso?

DR: Lógico. Fazer sexo baunilha, papai mamãe, ficar abraçado é ótimo. Apenas ficar de BDSM o tempo todo cansa. É como jogar vídeo game todo dia. Ficar com beijos e abraços a todo momento cansa e se torna a mesmice. Por isso, apenas um selinho, andar de mãos dadas e só um sexo bem simples, é ótimo para o relacionamento. 

CL: Alguma indicação de leitura?

DR: Leia de tudo. Aflore a imaginação com todos os temas. Não é apenas a leitura HOT que apimenta o relacionamento. E se for leitura para apimentar, esquece. Isso tem que sair da pessoa. Mas ter livros que te ajudam a colocar um tempero, aí é diferente. Gosto de livros que mostram o caráter e como o casal se relaciona. Você encontra um beijo simples e caloroso em Senhor dos Anéis. Algo mais forte em Amos y Mazmorras, Passion e Patience de Lisa Valdez, a série De Burgh de Deborah Simmons, ou vampiros sedutores como os da Irmandade da Adaga Negra, a Saga Vanir de Lena Valenti com vampiros e lobisomens e tantos outros. São muitos livros HOTs. E se for para ter uma ideia sobre o tema BDSM, leiam Amos y Mazmorras.



CL: Recado/dicas para apimentar o dia dos namorados?

DR: Conheça a si mesmo. As palavras de Apollo ainda são o melhor recado e dica. Depois de se conhecer, conheça de verdade a pessoa do seu lado. O prazer é dos dois. Não espere um presente de dia dos namorados. Dê um presente. Aquele que espera, jamais terá a felicidade de saber o que é um relacionamento. E se quer dar algo, dê todos os dias. Faça uma ligação mais picante. Envie uma foto mais sensual e faça uma surpresa entre um beijo e outro com palavras que o parceiro não espera. E se quer dar algo, dê o básico. Aquilo que ela irá lembrar de você. Chocolates e flores são ótimos presentes, mas são apenas para aquele momento. Não precisa ser algo caro. Nem uma foto, mas o que representa o relacionamento. Camisas, perfumes, são o que todos dão. Flores e chocolates são românticos, mas é o que todos dão. Por isso, o melhor é a surpresa. Jantares também caem na mesmice. Eu prefiro levar em algum lugar que é único, aquele que eu posso levar meu parceiro e mostrar o que significa para mim e ele entender o que estou mostrando. Até hoje apenas uma pessoa fez isso comigo e foi um dos melhores momentos que já tive. Saber que confiava o melhor (e as dores dela). E que aquele local sagrado, agora também era meu. Este é o melhor presente: VOCÊ!
 


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