SEMANA NAMORADOS - PARTE 5: Entrevista ELE

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Ele: Eduardo Castellini (39 anos, escritor no Motor Fetiche)


Corujice: Como você explicaria o que é BDSM para alguém que nunca ouviu falar?

Eduardo: É uma longa explicação que exigiu um site inteiro para começar fazer sentido, mas vou tentar ser breve nas explicações:
Primeiro Fetiche X Fantasia: Fantasia é algo que se imagina fazer, mas que pode nunca ser feito ou se o for vai ser feito uma vez apenas. Exemplo: sexo na praia. Mas se você repetir a fantasia várias vezes isso é um fetiche. Esse é o sinônimo perfeito para fetiche: uma prática ou preferência que agrada e dá alguma forma de prazer.
Fetiche é algo no grande conjunto do sensual (um conjunto grande onde dentro dele existe o sexual também, porém fetiche é o que seduz, pessoas com fetiche em bolsas, carros, etc. e dentro deles os sexuais onde o prazer é sexual), onde o BDSM são 4 fetiches em separado sendo eles:

B - Bondage: Limitar os movimentos de alguém e ter prazer em fazer isso em alguém ou receber isso. Seja com cordas, algemas, etc. Sendo que varias praticas e fetiches estão englobados dentro dele como Shibari (técnica de amarração tradicional japonesa), rope bondage (amarração exclusivamente com cordas), etc...

D – D\s ou Dominação e Submissão: Todas as praticas que envolvem troca de poder ou como é dito em inglês, power exchange, ou de alguém que escolhe entregar parte do poder que tem sobre si para outra pessoa, sendo que quem se entrega é chamado submisso e quem recebe esse poder e o utiliza é chamado Dominador.

S – Sadismo: Onde o sádico é quem tem prazer castigando alguém e o masoquista que é quem tem prazer em receber esse castigo.

M – Masoquismo: Onde masoquista é quem tem prazer em ser corrigido e castigado. Lembrando que nem todos os castigos são físicos como apanhar (spanking), eles podem ser psicológicos como negar a pessoa de algo que ela goste por exemplo.

Se a pessoa tem preferência e prazer ao ponto de sentir necessidade de algo descrito  acima ela é BDSMer…!!!!

CL: O que levou você a entrar neste universo? Qual seu papel nele?

EC: Sou viciado. Aos 16 comecei no tântrico e aos 21 entendi que o grande órgão sexual das pessoas é a cabeça e me iniciei nas praticas fetichistas.
Porem não gostava da visão negativa do BDSM que via na época onde os relacionamos D\s que via eram unilaterais (onde o submisso se desdobrava em servir o dominador e acabava se quebrando sem ter nada de bom em troca) e considerando isso errado neguei meu lado dominador e pratiquei fetiches diversos porem mantendo distancia do BDSM, até que em 2002 assisti o filme Secretaria (baseado em um conto fetichista), e vi uma D\s onde o Dominador mudou e melhorou o submisso cuidando dele, após isso decidi me aceitar dominador e viver desta forma recebendo a entrega de quem escolho e cuidando em troca da pessoa.
Tive muitos e muitos relacionamentos como Dominador inclusive vivendo em 24/7 com algumas dessas mulheres, e mesmo as vezes decepcionado com as pessoas e o meio BDSM me afastei algumas vezes mas não consigo mas viver apenas baunilha tendo necessidade disso em minha vida sempre.
“O Motorista”, meu personagem é o narrador do site onde explico e escrevo sobre BDSM e fetichismo responsável.  www.mortorfetiche.com.br





CL: Os livros da trilogia “50 Tons” foram responsáveis pelo boom de livros do gênero. Qual a sua posição quanto ao que é tido como BDSM no livro?

EC: Li a trilogia e tenho uma opinião como escritor e uma como praticante.
Com escritor, bato palmas a obra que é extremamente bem escrita para o publico que ela escolheu, mulheres entre 18 e 38 anos, sendo que a narrativa é feita por uma moça de 20 e poucos anos com a cabeça exata que se espera de alguém na sua situação. Uma moça sem nenhuma experiência sexual, romântica, sonhadora e até um pouco infantil.
Por esse motivo a obra vendeu o absurdo que vendeu, e por isso merece meus aplausos pelo sucesso em atingir e apaixonar seu público.
Porém, como pessoa que escreve e leitor de literatura mais consistente, percebo que a obra é mal escrita em vários aspectos da narrativa o que é esperado levando em consideração de ter sido escrita on line em cooperação de duas mulheres como um fanfic de Crepúsculo, sendo a primeira versão tinha até mesmo os nomes dos personagens iguais (Edward, Bella, etc…) usando o universo BDSM em vez do dos vampiros.
Não é algo que gostei de ler e nem recomendaria a quem tem gostos como os meus para literatura.

Como praticante de BDSM vejo a obra com vários pontos bons e ruins:
- Ela mostra que o BDSM não é praticado levianamente, sendo as práticas negociadas anteriormente dentro do que chamamos a tríade do SSC (São, Seguro e Consensual), tendo os personagens negociando seus limites e isso mudou para muitos a visão que tinham de nosso estilo de vida;
- Trouxe o BDSM para o mainstream mostrando ao grande publico que existimos e somos pessoas como quais quer outras mas com gostos diferentes porem apenas pessoas;
- Ajudou pessoas que tinham esses “gostos” a se descobrirem mais cedo do que demorariam, tendo um papel muito parecido com as obras onde me encontrei como 9 semanas e meia, Secretaria etc…

Mas tem os pontos ruins dele:
- As autoras não são praticantes então as cenas estão contadas de forma que, se forem repetidas como são mostradas exatamente, podem trazer danos as pessoas ou gerar complicações;
- A personagem principal masculina é dominadora, por uma forma de compensação de um trauma de infância, e como dizemos no meio, “BDSM não é terapia” e se as pessoas vem até ele buscando isso estão muito erradas. O ideal é que se resolvam e venham viver isso de forma saudável e sem culpa com prazer real e naõ como compensação psicológica de algo;
- A personagem feminina não é, nem quer ser, praticante e por isso ela além de fazê-las a contragosto, apenas para conquistar o seu parceiro, ainda o trata como “maluco” ou “doente” precisando de uma “cura” para suas preferencias. O que é a maior “bronca” dos praticantes do meio com a obra.
Eu só tenho o trauma de não ter o dinheiro dele. rsrsrsrsrs

CL: Por mais que os livros “50 Tons” não descrevam o que realmente acontece no universo BDSM, eles levaram as pessoas a lerem e se interessarem pelo assunto. Acha isso válido?

EC: Em parte essa é a grande vantagem do livro mostrar nosso universo, ou uma visão deturpada dele. Então se as pessoas o usassem como primeiro contato e então estudassem sobre nosso estilo de vida, seria espetacular, mas não é o que sempre acontece. Mas algumas pessoas em vez de fazerem isso passam a pensar que o livro é a realidade e tentam viver o que o livro mostra no real com pessoas reais do meio e quase sempre isso só dá problemas.
Porque a vivencia real é muito diferente da do livro, muito melhor para quem nasceu para elas e muito pior para quem apenas quer viver o romance hot da história e acabam “quebrando a cara bonito”.
Ou homens que, por conta do livro, sem preparo nenhum e apenas buscando sexo fácil, se declaram dominadores e cada dia mais isso esta se tornando comum.
Muitas meninas me abordam com essa cabeça por conta do site e vem com a expectativa de helicópteros e champanhe. Eu não tenho o primeiro e não bebo ok.  

CL: Para acontecer uma relação BDSM, é necessário que seja “são, seguro e consensual”. Existe um contrato ou acordo feito entre as duas partes? Como é definido o que pode ou não ser feito?

EC: As pessoas sérias do meio quase todas praticam BDSM “SSC” – algumas mais experientes vivem formas diferentes de práticas, algumas até de forma responsável e feliz. Porém, sem o “SSC” como norteador o que diferencia o dominador do maluco da “Maria da Penha”?
Eu sempre digo que quem esta começando tem de estudar muito e sempre seguir o SSC principalmente em relacionamentos novos

CL: “Sexo baunilha”, romance, carinho. Isso existe em uma relação dominador-submisso?
EC: Nas minhas, eu preciso muito de sentimento afinal sou viciado nisso. Porém, nem todos o fazem assim, como “os baunilhas” às vezes fazem sexo por sexo, existem muitos praticantes que não o fazem por sentimento, mas sim por tesão, necessidade ou muitos outros motivos. Quanto ao sexo, eu tenho muito prazer na D\s e nas práticas e não teria sentido eu amarar, fazer, acontecer até cansar e a pessoa ter vários orgasmos e eu depois chegar em casa e depois me masturbar, né? 


CL: Alguma indicação de leitura?

EC: Segundo sei, para quem quer mesmo conhecer BDSM, muito do que é escrito é pura ficção, mas algumas obras são de praticantes. Se não me engano há muitos anos saiu um livro chamado Submissão Concedida que é de um praticante mesmo, o Diário de uma submissa, também. Mas sempre recomendo os clássicos como o História de O, Dorian Gray (O Grey original, não o do 9 semanas e meia ou do Secretaria nem muito menos o do 50 tons).

CL: Recado/dicas para apimentar o dia dos namorados?

EC: CONVERSEM é a primeira dica. Sejam o mais sinceros SEMPRE um com o outro. Muita gente passa a vida com vontades que nunca realizam e inclusive algumas pessoas casam “baunilha” e depois se frustram e jogam tudo para cima para viver isso, mas às vezes tarde demais. Muitas pessoas tem vontades que reprimem por vergonha e fatalmente isso explode um dia se for algo visceral na pessoa por isso recomendo ser o mais sincero com seu parceiro em suas vontades e “negociem” o que vão dar de realização um ao outro, se permitam isso, só cuidado com surpresas por que as vezes não dá certo. Ir a um sex shop, um lugar diferente, experimentem se divirtam juntos e se façam felizes.




Bom se ao tema realmente interessa a vocês por favor leiam o “Drive-in do Motorista” ( www.motorfetiche.com.br ) e estejam a vontade para conversar comentar e mandar suas duvidas pois amo ajudar e para isso que fiz o site, ajudar as pessoas se se descobrirem e serem felizes.

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