terça-feira, 7 de abril de 2020

Resenha: A Padaria dos Finais Felizes

Bem no começo do ano publiquei no Instagram (pode conferir) que minha primeira leitura regular de 2020 seria O Silmarillion de J.R.R. Tolkien. Nem precisaria dizer que estou amando, e fiquei absolutamente maravilhado com o capítulo de Beren e Luthien.

Não é à toa que Aragorn canta uma música sobre eles para Frodo em A Sociedade do Anel, cena que está na versão estendida do filme de mesmo nome, aliás.

Enfim, tirei então um tempinho para respirar, e nisso a Má aproveitou e me mandou ler A Pequena Livraria dos Sonhos. Sim, “livro de menininha”, mas gostei bastante, o que pode ser conferido em nossa resenha, que os caros leitores, por sinal, já deveriam ter lido, né?


Não satisfeita, ela depois me passou A Padaria dos Finais Felizes, também de Jenny Colgan. Já conhecendo o estilo da autora, mergulhei sem medo nas aventuras (e agruras, que são muitas) de Polly Waterford. Ela tinha ao lado do marido Chris uma empresa de design gráfico que faliu, e os primeiros capítulos descrevem esse período penoso.

As páginas deixam claro, aliás, que o escritório era bem mais sonho de Chris do que de Polly, que fez tudo para apoiar o marido, sem sucesso. Nisso A Padaria é bem mais pesado do que A Livraria, apesar do drama de nossas heroínas ser bem parecido.

O banco tomou o apartamento deles, e sem poder ficar com a mãe como o marido fez com a dele, nem tendo o desejo de ficar com a melhor amiga, Kerensa, Polly procura um lugar barato para alugar por uns tempos, a fim de se isolar e tentar reconstruir a vida.

E nisso acha em um site de imóveis para aluguel um decadente apartamento sobre um pequeno comércio desativado em Mount Polbearne, na Cornualha (Cornwall, região do sudoeste britânico). Polly se lembra de haver visitado esse lugar quando criança, e se encanta com as pequenas casas e a visão do mar.


O vilarejo fica em uma pequena ilha, ligada ao continente por uma ponte acessível somente na maré baixa. Contra a vontade de Kerensa, que detesta à primeira vista o decadente lugar, Polly acerta um aluguel de curta duração. E o que acontece quando chega com sua mudança? Seus livros saem voando com a ventania, incluindo Alice no País das Maravilhas, presente do pai.

Detalhe, Polly é ruiva, assim como uma certa owner de um certo blog literário, imagino quem deve ter chorado litros na cena... Mas o precioso livro é salvo por um grupo de marinheiros, e nossa heroína conhece assim alguns dos amigos que fará ao longo da história.

Vim a gostar bastante do estilo de Jenny Colgan, que nos presenteia com descrições precisas sem nunca se alongar demais. E quase de imediato nos identificamos com suas protagonistas, que mesmo em momentos de fragilidade emocional não se tornam meras “donzelas indefesas”. Além disso, a autora é precisa na colocação de referências nerds e pitadas de humor que amenizam os momentos em que sofremos junto com os personagens.

Identificação, aliás, coisa que alguns autores de um país assim nem tão distante poderiam aprender... E que é algo muito mais complexo do que a mera questão de gênero, afinal estou cá a lhes contar que me identifiquei com uma moça de 32 anos, ruiva, que teve seu negócio falido e que tenta se reerguer fazendo pães.

E isso não é spoiler, claro, pois está na capa do livro (que tal como A Livraria evoca as paisagens onde vivem nossas heroínas) como na descrição de Jenny na contracapa. Depois de limpar o apartamento e conhecer Neil (outro amigo que faz na ilha) Polly se distrai fazendo pães, atividade que aperfeiçoou durante o período difícil antes da falência do escritório.


A habilidade de Polly com os pães (e a descrição do aroma deles chegando até a rua quase nos faz sentir aquele cheirinho delicioso de pão no forno...) reforça suas amizades com os locais e lhe garante novos contatos. O que inclui um norte-americano considerado meio maluco, Huckle, que mora no continente e tem um apiário, onde ela consegue mel.

O livro tem até alguns... “usos diferentes” para o mel! Arrisque-se quem quiser, claro! E sem surpresa, tem até receitas de alguns dos pães que Polly faz.


Por sinal, a Má ficou tão inspirada que acabou ela mesma fazendo alguns páes recentemente. Garanto que ficaram deliciosos!


A Padaria dos Finais Felizes é um livro sobre cair e recomeçar. Ter a coragem ou o desespero de dar um salto no escuro e, sem muito planejamento (nenhum, na verdade) se reinventar fazendo o que se gosta.


Também é de descobrir-se parte de um lugar, de uma comunidade (na melhor acepção desse termo), de uma autêntica família, dividindo com as pessoas alegrias, frustrações, tragédias e vitórias. Há aqueles momentos de quase chorar com os personagens, de vibrar com suas vitórias, dar muita risada com piadas até bestas, e até de pensar “pô, agora que tudo parecia que ia dar certo vocês ficam de manha!?”.

E relendo alguns trechos do começo do livro reparei em uma imagem que retorna nas últimas páginas. É, a vida às vezes é um ciclo, e a possibilidade de um novo começo após um tropeço pode estar mais próxima do que imaginamos. Pode estar a apenas um pequeno passo para se abrir para o desconhecido, o novo, o surpreendente e o maravilhoso.

Muito legal, recomendo!

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Resenha: 0,01%, Muito Prazer




            Tive o grande prazer de conhecer a amiga Adriana Vieira Bastos em 2013, quando nós dois e mais algumas pessoas tomamos parte da primeira turma do curso de Oficinade Roteiro no Senac Largo Treze, ministrado pelo professor Vinicius Del RyMenezes.

            Esse curso foi uma das melhores experiências que tive em toda minha vida, e para terem uma pequena ideia, entre os filmes e cenas de filmes que assistimos e analisamos na ocasião, o primeiro foi Le Voyage dans la Lune, Viagem à Lua de Georges Méliès, o primeiro filme de ficção científica!


            O objetivo final do curso era escrever um roteiro de cinco minutos, e terminei por escrever dois. Um de viagem no tempo, e outro sobre um pistoleiro chamado Genésio, pelo qual toda a turma caiu de amores. Com tamanho incentivo, desenvolvi nos meses seguintes um roteiro de longa metragem, que já registrei, e recentemente escrevi o roteiro de um trailer que está no meu blog Escritorcom R.

            A Adriana, ou Adri para os amigos, foi uma das maiores incentivadoras nesse sentido ao lado do Vinícius, pelos quais serei eternamente grato! E por tudo isso foi muito legal quando soubemos que a Adri ia lançar seu primeiro livro, e claro, que corremos para acompanhar e prestigiar! Fotos, um vídeo e comentários da Má podem ser conferidos na nossa cobertura do lançamento.



            Mas evidentemente faltava uma resenha caprichada de 0,01%, Muito Prazer, que a Adri publicou pela Chiado Books. Muito resumidamente, a obra conta a história dos problemas de saúde dela, que acontecem com frequência e que acometem somente uma pequena porcentagem, 0,01 % para ser preciso, da população, chamados pacientes crônicos.

            Sim, o assunto é muito sério, afinal ninguém gosta de encarar esses momentos em que toda a fragilidade da vida e da condição humana é exposta, e não somente nossa saúde física mas também mental ficam por um fio. Mas muito pelo contrário, o livro é incrivelmente leve, e consegue ser absolutamente hilário na maior parte das páginas.
 
            Como não rir diante dos tipos de médicos que a Adri descreve já ter encontrado, como o Estrela, o Açougueiro e o Surrealista, entre outros? Ou a crônica-desabafo que escreveu em um período interminável em uma sala de espera, quando quase liderou uma passeata de outros pacientes diante da demora do médico que deveria atendê-los?

            Essas descrições dão somente uma pálida ideia da autêntica Adri, bagunceira, inquieta, divertida e com uma contagiante alegria de viver. Sim, logo nas primeiras páginas somos apresentados a essa pessoa sempre bem humorada, que não resiste a uma aventura, e que não permite que seus problemas de saúde a impeçam de sempre celebrar a vida!

            Adri é, acima de tudo, uma mulher com uma coragem assombrosa, que não hesitou em ter uma terceira gravidez mesmo diante de ameaças em potencial não somente a sua saúde, quanto a sua própria vida. E eu e a Má ficamos realmente emocionados no lançamento do livro, ao ver toda a energia, o carinho e a união de sua família e amigos!

            O livro é pontuado por ilustrações baseadas em várias de suas passagens, todas sempre muito divertidas. E fiquei particularmente tocado quando, após a mencionada terceira gravidez, Adri encarou uma necessária cirurgia no coração. Evidentemente para muita gente isso traria muito medo e preocupação, mas ela decidiu driblar esses sentimentos fazendo amizade com outros pacientes do mesmo corredor. A horas das refeições era sempre animada, com a turma conversando e se apoiando mutuamente.

            O mais emocionante é que, claro, Adri acordou no dia da cirurgia sentindo todo o peso daquela espera. Mas eis que os amigos que fez vieram dar todo seu apoio e carinho, e felizmente tudo deu certo.

            E assim vamos acompanhando as desventuras e aventuras da Adri para lidar com tão intensas experiências, mas sem nunca deixar de encontrar os amigos, tocar bongô e curtir a vida. Como na ocasião em que, em uma viagem no Chile e a bordo de uma cadeira de rodas, eles visitavam o Museo de la Memoria y los DerechosHumanos, onde havia uma enorme rampa. Adri subiu com o filho Marcelo e pediu ao marido, Zé Roberto, para gravar. E eu queria muito ver esse vídeo, pois a descrição da descida e da “aterrissagem” é de rolar de rir!

            Essa é nossa amiga Adri, que transmite uma alegria, uma força e uma vontade de aproveitar a vida absolutamente contagiantes! O livro 0,01 %, Muito Prazer, é uma leitura sensacional, e nestes tempos difíceis mostra como nunca devemos desanimar com as dificuldades que enfrentamos, nem nunca desistir de lutar pelo que queremos. A Adri mostra, em seu primeiro livro (torço para que venham outros) uma leveza e um bom humor ao tratar de um assunto tão sério quanto à saúde que realmente invejo.

            E mostra ser um exemplo de como se deve curtir, aproveitar e celebrar a vida, sempre!


quarta-feira, 25 de março de 2020

Resenha: Amanhecer e A.R.A.R.A.









            Um experimento em plena usina nuclear de Angra dá muito, muito errado. O que era parar ser uma arma criada por um grupo de cientistas para o governo se tornou um herói, a esperança de todo um país.

            Se tornou o Amanhecer!

            Esse é o título do volume 1 de Time da Luz (o subtítulo é Poder Libertado), uma superequipe criada e publicada pela Publigibi, de autoria de Daniel Vardi, Oscar Suyama Jr. E Márcia Sandrine. Se alguns nomes são familiares é porque já tratamos deles aqui no Corujice Literária, em nossa cobertura da sensacional e histórica exposição Super-Heróis do Brasil. Vamos recordar como foi?


            Além disso, os autores brasileiros participantes, inclusive Daniel Vardi, a mente por trás do Amanhecer e do Time da Luz, estiveram conosco em dois episódios do Corujice Pop:

Corujice Pop - EP. 3 - Parte 1

Corujice Pop - EP. 3 - Parte 2

Corujices Pop - Desenhistas Bloco 1

Corujices Pop - Desenhistas Bloco 2

            O objetivo do ambicioso projeto era criar uma arma viva, e foi realizado com vários voluntários até um fosse selecionado. Contudo, certas forças ocultas que há décadas atrasam o progresso do Brasil realizaram um atentado que culminou em uma enorme explosão.

            Mas essas forças não contavam que a cobaia sobreviveria, e graças às energias envolvidas no experimento e ao uniforme de biocomponentes com as cores de nossa Bandeira ele se tornou o mais poderoso herói do Brasil: o Amanhecer! E a razão desse nome é emocionante, somente lendo na HQ para conferir.

            Depois somos apresentados a Cláudia, jornalista esportiva que tenta desesperadamente contato com três homens, o professor Davi, o repórter investigativo Rodrigo e o jogador de futebol Marcos. E Cláudia deseja falar com eles porque tem um monstro atacando a cidade, e quando a intrépida jornalista chega ao centro da ação, lá está Amanhecer atacando a criatura.

            A HQ termina com um editorial assinado por Daniel Vardi e Dante Schiffini, e a ficha de nosso herói, indicando entre outras coisas que seu nome e características faciais são desconhecidos.

            Mas não acabou, já que temos ainda o número 2 de Time da Luz, A.R.A.R.A. Esta é a sigla para Arsenal de Rastreamento Aéreo e Radical da Aeronáutica, outro projeto avançadíssimo desenvolvido pelos militares. Os autores são os mesmos de Amanhecer, e a eles se uniu também Cássia Alves.



            Roberto era um garoto simples jogando bola na praia em Lauro de Freitas, Bahia, e sempre admirou os caças da base da Força Aérea voando por ali. Um dia um sargento da Força Aérea Brasileira enxergou potencial no garoto, e anos depois, com muito estudo e preparação, ele se tornou um dos melhores pilotos da FAB. Por mérito, diga-se.

            Por isso, Roberto foi escolhido para testar o A.R.A.R.A., um sofisticado traje voador de combate capaz de superar até mesmo os melhores aviões de combate. Após os testes bem sucedidos seu oficial superior, o mesmo sargento que foi seu mentor, revela sua verdadeira missão.


            Atacar e derrotar o Amanhecer. Conforme o oficial, este é um indivíduo perigoso para o país. Roberto a princípio discorda, pois muitos enxergam no Amanhecer um herói, incluindo ele mesmo. O oficial o pressiona, e Roberto, como militar exemplar, diz que irá cumprir as ordens.

            Nisso chegam notícias de um monstro atacando (sim, o mesmo visto em Amanhecer), e indicações de atividades extra-humanas. O herói verde, amarelo, azul e branco é visto indo para a região atacada pelo monstro, e o A.R.A.R.A. recebe ordens de para lá se dirigir. O dilema então está colocado para Roberto: seguir suas ordens seus instintos? Ao final da edição ainda encontramos, como no número 1, a ficha do A.R.A.R.A.

            Duas incríveis HQs de heróis legitimamente brasileiros, uma realização incrível neste momento difícil em que o país se encontra. E não foi mesmo durante o período entre a Depressão e o início da Segunda Guerra Mundial que os super-heróis clássicos que conhecemos surgiram? O momento não poderia ser melhor para lermos, celebrarmos e valorizarmos essas criações dos artistas brasileiros.

            Quer comparações? Evidentemente que o A.R.A.R.A. tem certas semelhanças com o Falcão da Marvel, e o Amanhecer me lembrou o Dr. Manhattan de Watchmen. E claro, falando em super-heróis com as cores nacionais como esquecer o Capitão América? Mas as duas histórias apresentam situações que só poderiam acontecer bem aqui, no Brasil, e aquele torturante “continua em Time da Luz 3 – Metalmark a Origem” ao final de A.R.A.R.A., mais as tramas das duas edições, apontam para infinitas possibilidades para os Super-Heróis do Brasil.



            E sabia que cada cor do uniforme do Amanhecer representa um poder? Vejamos: verde é força da natureza; amarelo, o calor do Sol; azul, capacidade de voo e branco, mudança de forma.

            E falando em Time da Luz, a formação completa da equipe é, além de Amanhecer e A.R.A.R.A., Paladino, Boiadeiro, Helena Miranda e Lia Metal. Por sinal serão estas últimas, as garotas, as protagonistas de Metalmark a Origem.




            O Brasil realmente precisa de heróis, e como o próprio Daniel Vardi nos disse, em nosso país temos time de tudo, exceto de super-heróis. Agora não mais, pois o Time da Luz chegou com tudo, e estamos realmente ansiosos para os próximos lançamentos da Publigibi. Se ainda não conheceu esses personagens incríveis não perca mais tempo, e seja também parte desse, como dissemos anteriormente, alvorecer da Era de Ouro dos Super-Heróis do Brasil!




quinta-feira, 12 de março de 2020

Fuzuê Nerd – Como foi




Nos dias 7 e 8 de março aconteceu em São Paulo o 2º Fuzuê Nerd no Novotel Jaraguá.
           
          Dá para imaginar o que foi juntar mais de 140 artistas, as principais editoras, youtubers, podcasters, blogs, palestras, venda de HQs e outros itens relacionados – como bottons, prints, adesivos, marcadores de página e outros? O universo dos quadrinhos sorriu para nós!


           O evento contou com o lançamento de “Os cavaleiros das trevas” de Vazquez Castro Bardesi e Lara, abordando as diferentes versões do Batman nos quadrinhos. Outra HQ lançada foi “Pândega – terror”, apresentada pelo próprio Fuzuê Nerd, uma antologia na qual participaram vários nomes do quadrinho nacional presentes no evento. Um deles, aliás, nosso querido Tom Dutra, com uma história pra lá de inusitada e MUITO divertida.







            Não adianta nem perguntar se houve loot, pois no meio de tantos artistas incríveis com traços super diferentes é inevitável encontrar uma coisinha ou outra que TEMOS que trazer para casa.

Loot do Renato
Loot da Marcia


           Mais fotos lá no nosso facebook, é só clicar aqui.

Agradecemos a equipe do Fuzuê Nerd e abaixo tem uma listinha dos artistas que encontramos por lá, não custa seguir (até porque os trabalhos são incríveis).



@paralelo.lelo

@jennylira_art

@mazuremoganashi

@L8artes

@melmeowart

@batatinhafantasma

@juharaujo.art

@rogerioferraz7

@tomdutra

@lilycarroll27

@ayraillustrations

@rabiscosen

@velhogordo

@hanakarnon

@juhz_ilustra

@bi.aguiart

@manoelacosta.com

@camilaqueiroz4

@studio_vulpes

@kk.soda.art

@mariocau

@mansaowayne.com.br

@comicmami

@jullpimenta

@gkoichi

@sincerigrazi

@sebodoguil

@AlineFraenkelArt

@skript_editora

@CoffinFangStore

@pixelshow

@milena.montero.art

@_miramari

@francoderosa

@victoriaartesanato

@kahzitadraws

@r_umine

@indievisivelpress

@artsbruks


terça-feira, 10 de março de 2020

Felipe Folgosi lança a campanha de sua nova HQ “Knock Me Out”, no Catarse


No dia 17 de março, terça-feira, o ator e roteirista Felipe Folgosi lança a campanha da graphic novel “Knock Me Out”, no site de financiamento coletivo Catarse. “Knock Me Out” é a quinta obra na série de HQs do autor, iniciada em “Aurora”, lançado em 2015, seguida de “Comunhão” em 2017, “Um Outro Dia” em 2018 e por “Chaos” em 2019.

Sobre a nova HQ, Felipe comenta “É a história de Tom Rocco, um lutador brasileiro de jiu-jitsu, que vai para os Estados Unidos em busca de seu próprio caminho. Além de ser um excelente lutador, Tom começou a fazer grafite ainda adolescente, e acabou desenvolvendo um estilo pessoal em obras incríveis, mas que ele deixa escondidas do mundo, para ninguém ver. Essas duas formas de expressão, a arte marcial e a plástica, são as válvulas de escape que ele tem para lidar com seus conflitos internos, principalmente a solidão. Mas como em toda boa história, Tom chega em uma encruzilhada. Ao mesmo tempo que recebe o convite para lutar no maior campeonato de MMA do mundo, conhece Natalie, uma médica que ilumina sua vida e acabam se apaixonando. Ao descobrir como é brutal e perigosa essa competição, Natalie pede que Tom se afaste desse universo violento e invista em seu talento como pintor. Agora Tom precisa decidir que caminho seguir para descobrir seu verdadeiro eu, se tornar o melhor lutador do mundo ou ficar com o amor de sua vida”.


Felipe desenvolve uma história de ação surpreendente que mistura romance e questões filosóficas. “Tendo morado dois anos, estudando em Los Angeles, experimentei na pele como é se sentir estrangeiro. Procuro abordar na história esse fenômeno cada vez mais frequente de jovens que deixam o país, muitas vezes em busca de uma identidade. Porém se desvinculando de sua família, cultura e referências geográficas que compõem nossa memória afetiva, intensificando a sensação de não pertencimento comum nos dias de hoje”, relata.

Felipe diz que “Em tempos de rede sociais, nunca se esteve tão só, a ponto de o Reino Unido ter criado um Ministério da Solidão para enfrentar o problema. Esta é uma questão presente na HQ, mostrada por meio de Tom, mas também de Lorena, uma escritora afrodescendente, que encontrou na escrita um caminho para auto-realização e pessoal e financeira, mas que encontra dificuldade em sua vida amorosa, revelando que independentemente de raça, gênero e condição social, qualquer um pode se deparar com esse quadro que, segundo pesquisas faz tão mal quanto obesidade ou tabagismo”.


Voz própria

Outro tema abordado por Felipe é a aparente dicotomia entre as artes marciais e as artes plásticas. Felipe acredita que elas têm mais coisas em comum do que se imagina. “Durante toda infância pratiquei lutas e, ao mesmo tempo, era aficionado por cinema e quadrinhos”, conta o autor. “Grandes artistas conseguiram canalizar a violência de forma criativa e provaram que existe uma beleza estética nas artes marciais".


Procurei explorar essa tensão dialética em “Knock Me Out”, por meio das duas principais atividades de Tom, a arte marcial e a plástica, com as quais o personagem busca equilibrar ambas pulsões - criatividade e violência - ao longo da história, e se integrar”.


Para Felipe, as semelhanças entre as artes não terminam no nome. Ambas são veículos de expressão estética, têm um processo de aprendizado parecido entre mestre e aprendiz, exigem coordenação motora e raciocínio espacial.

O autor conclui: “Não é por acaso que ao longo da história, a prática dessas artes não era só comum, mas obrigatória tanto para monges como para samurais”.

Felipe estudou cinema em São Paulo e fez especialização em roteiro na UCLA, Estados Unidos. Inicialmente desenvolveu o roteiro de “Knock Me Out” para o cinema, mas adaptou a trama para história em quadrinhos ao perceber seu imenso potencial gráfico.


A missão de ilustrar foi dada ao desenhista Henrique Pereira, arte-finalista Téo Pinheiro e ao colorista Vinicius Townsend. Felipe, enfatiza “Encontrei nesse time os parceiros que buscava há algum tempo, com a sensibilidade e talento que a obra pede. Estou muito satisfeito com o resultado e acredito que o público também ficará”.

Após o encerramento da campanha e a produção da HQ concluída, haverá o coquetel de lançamento para imprensa e convidados, com a presença do autor.


Felipe Folgosi

Fez faculdade de cinema na FAAP e especialização na UCLA por dois anos, com ênfase em roteiro. Desde 2000 tem colaborado em vários veículos como o Jornal da Tarde, revista da Avianca e na revista Licensing Brasil. Em 2001 ganhou o Concurso Nacional de Dramaturgia promovido pelo Ministério da Cultura com a peça "Um Outro Dia".

Começou a fazer teatro aos quinze anos e estreou aos dezessete na televisão com a minissérie "Sex Appeal", na Rede Globo, em 1993. Em seguida fez a novela "Olho no Olho", onde era o protagonista Alef. Depois esteve em "Explode Coração", "Corpo Dourado", "Vidas Cruzadas", "Jamais te Esquecerei", "Começar de Novo", "Os Ricos Também Choram", "Prova de Amor", trilogia "Os Mutantes" e “A Terra Prometida” na Rede Record.

Como apresentador, esteve no programa "Tá Ligado" da Fundação Roberto Marinho, em STV na Dança na TV Senac, em "Acredite Se Quiser" na Band. Mais recentemente participou do longa-metragem "A Grande Vitória" com Caio Castro e Sabrina Sato, da série "Politicamente Incorreto" com Danilo Gentilli, na FOX, da novela "Chiquititas" do SBT, do programa da GNT “Que Maravilha- Aula de Cozinha”, do seriado “171-Negócio de Família” para o Universal Channel e atualmente está fazendo uma participação na novela “Aventuras de Poliana” no SBT. No teatro fez mais de dez peças, entre elas "Gato Vira-Lata", de Juca de Oliveira.

Em 2018, Felipe lançou o longa-documentário “Traço Livre”, que coproduziu e apresenta, sobre o cenário atual do quadrinho independente no Brasil. Em 2019, participou do longa “Eu Sou Brasileiro” de Alessandro Barros e em breve estará na cinebiografia de Celly Campelo “Um Broto Legal”, de Luiz Alberto Pereira.

Lançou em 2015 sua primeira Graphic Novel, “Aurora”, que foi um sucesso de crítica e público, tendo sido indicada ao maior prêmio dos quadrinhos nacionais, o “HQMix”.

Em 2017 lançou seu segundo projeto em quadrinhos, desta vez uma história de suspense e terror psicológico chamada “Comunhão”. Participou também das coletâneas “Visões de Guerra” e “Selva Gazeta Gráfica”. Em 2018, Felipe lançou seu curso online de composição narrativa chamado “Contador de Histórias” na plataforma cultural Savoá.

Também participa da antologia “Narrativas do Medo Volume 2” com o conto “Non Plus Ultra”, lançou a Graphic Novel “Um Outro Dia” em 2018. Em 2019 continuação do Aurora chamada “CHAOS” e atualmente está produzindo “Knock Me Out” com lançamento previsto para novembro de 2020.

Henrique Pereira

Além de produzir materiais para editoras e agências de publicidade, trabalhou com quadrinhos institucionais, livros didáticos e paradidáticos, animação, character design para games, e ministrou aulas de desenho (estilo mangá) na cidade de Recife, Pernambuco.

Ainda nos anos 90, produziu a 1ª edição da revista “Aprenda a Desenhar - Estilo Mangá”, em parceria com o artista Watson Portela. Atualmente, dedica-se a ilustrar para editores internacionais como artista freelancer e à frente do “Inkstand Studio” do qual é fundador.

Vinicius Townsend

Natural do Rio de Janeiro, graduado em Belas Artes pela UFRRJ. Trabalha como colorista a 8 anos, participando de publicações em editoras como IDW, Dynamite, entre outras. Atualmente dedica-se como freelancer em publicações no mercado independente nacional e internacional.

Lançamento da campanha da graphic novel “Knock Me Out”, de Felipe Folgosi no Catarse.

Data: 17 de março, terça-feira

Roteiro, adaptação, layouts e produção: Felipe Folgosi

Desenho: Henrique Pereira. Arte-Final: Téo Pinheiro

Cores: Vinicius Townsend

Preço: R$59,90

Quantidade de páginas: 136 de arte, 144 totais.

Endereço: www.catarse.me/kmo

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Resenha: A Pequena Livraria dos Sonhos


            Estar em um relacionamento é muito bom.

            Estar em um relacionamento em que sua cara metade tem os mesmos gostos que você, então, é ainda melhor. No caso, e sendo este primeiro de tudo um blog literário, o gosto pela leitura a dois tem sido um dos melhores aspectos de estar com a Má.

            Aí, quando sua amada lhe pede para ler um livro, você, claro, não pode recusar!

            E foi o que aconteceu quando a Má me pediu para... ler um livro de menininha!


            Ah, o amor... o que não fazemos por ele, não é mesmo?

            Ela havia falado muito a respeito de A Pequena Livraria dos Sonhos, que na verdade não era um “simples” livro de menininha, que tinha montes de referências nerd (coisa que, claro, amamos), e além de tudo era um livro sobre livros e amantes de livros, então quando me pediu para ler não reclamei nada, disposto a tirar a prova.


            Achei legal que a obra já começa com “Uma mensagem aos leitores”, em que a autora Jenny Colgan nos convida a explorar os mais diferentes locais para ler. Na banheira e andando na rua me parecem arriscados, mas alguns definitivamente eu já vivi. Gozado como alguns itens realmente dão aquele tom de cumplicidade com leitores, como “momentos ‘roubados’ para ler”.

            Minha preferência, claro, é bem aconchegado em casa, no quarto ou na sala. Não gosto de ler (e nem escrever) com música, mas consigo degustar um livro com a TV ligada numa boa. A da Má é no sofá ou na cama ou num parque, mas sempre em silêncio, para viver tudo do livro, a menos que o autor tenha deixado uma playlist para o capítulo, o que faz a experiência ainda mais interessante.

            Já nos primeiros capítulos somos apresentados a Nina, bibliotecária que sente o desespero tomando conta de sua vida, já que a biblioteca em que trabalha vai fechar, e os chefes responsáveis querem concentrar esse tipo de serviço em uma central multimídia repleta de atendentes jovens e “descolados”.

            A situação para uma leitora compulsiva como Nina é intolerável, e em meio ao desespero de ficar desempregada ela se dedica a salvar quantos livros consegue da biblioteca, antes que sejam descartados. Sua melhor amiga, Surinder, com quem mora em Birmingham, quase enlouquece no processo, pois a casa delas já é abarrotada com os livros de Nina, e ela traz mais volumes a cada dia lotando seu pequeno carro, um Mini Metro.


            Conhecemos ainda o colega de Nina, Griffin, que inadvertidamente dá à garota a ideia que mudaria sua vida, aquele empurrãozinho que faltava. Nossa heroína sempre quis ter sua própria livraria, e quando ele menciona que existem pessoas que transformaram veículos em livrarias móveis, a ideia fica germinando na mente de Nina.

            Em meio ao processo de desmontagem da biblioteca e de entrevistas para tentarem ser aceitos no tal centro de mídia, Nina procura por veículos adequados, e acaba encontrando uma antiga van, mas há um problema: ela está nas Terras Altas da Escócia. Mas ter uma livraria só sua sempre foi seu sonho, e a garota por fim toma um ônibus. O interessante da forma de escrever de Jenny é que ela vai descrevendo à perfeição situações e lugares, sem nunca se alongar demais.

            Um bom exemplo é precisamente a primeira viagem de ônibus de Nina para a Escócia, em que ela tenta se concentrar no livro que levou, mas acaba desistindo para apreciar a inigualável paisagem que passa pela janela.


            E ela chega enfim a Kirrinfief, cidadezinha em um pequeno vale das Terras Altas cuja descrição imediatamente nos encanta. Conhecemos o pub local administrado por Alasdair e frequentado por Edwin e Hugh, e ela finalmente conhece a van.

            Idas e vindas e Nina finalmente se decide, retorna a Kirrinfief e compra a van, mas a burocracia de Birmingham impede que ela leve o veículo para a cidade grande. A única alternativa é se mudar para a Escócia, e o sentimento de abandono de nossa heroína é palpável nas letras de Colgan.

            Mas aos poucos Nina vai se ajeitando, aluga uma casinha na fazenda do mal-humorado fazendeiro Lennox, e começa a viajar entre as cidadezinhas e suas feiras, atraindo muitos clientes. E em meio a citações de livros, romances e o clima incrível daquele lugar tão diferente, o livro realmente se torna irresistível.


            A Pequena Livraria dos Sonhos foi mesmo uma ótima surpresa, divertido, dramático (drama, drama, drama) e conforme fui descobrindo, uma boa aula sobre como escrever conforme o ponto de vista feminino. Eu e a Má até conversamos sobre a Jornada do Herói de Nina, que realmente se aplica à sua grande aventura, passando pelos demais personagens, o sentimento romântico que ela experimenta com certo maquinista de trem, até um improvável, mas ao mesmo tempo previsível romance.

            É realmente impossível não se identificar com nossa heroína Nina, e torcer muito por ela nessa ventura recheada de muitos livros e descrições sobre as tradições da Escócia. Deu muita vontade de ir morar em Kirrinfief.

            A Má já me passou outro livro de Jenny Colgan, A Padaria dos Finais Felizes. Breve mais uma resenha de “livro de menininha” aqui no blog.