quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Resenha: Tribunal Justiça das Ruas







            Como assim vocês ainda não conferiram nossa cobertura sobre a exposição Super-Heróis do Brasil? Corre lá:


            E o episódio sobre esse grande evento que gravamos para o Corujice Pop?

Corujice Pop - EP. 3 - Parte 1

Corujice Pop - EP. 3 - Parte 2

            Se tivessem conferido tudo isso aí acima, então o nome de Carlos Baku não seria um estranho para vocês. O amigo que fizemos lá já havia publicado os quadrinhos infantis O Príncipe Sapo e O Príncipe Sapo Colorir quando, em 2015, publicou a primeira HQ do grupo justiceiro Tribunal.

            Na exposição o título estava esgotado, e ele nos mostrou somente um exemplar do original, prometendo que nos entregaria a nova edição que estava preparando. E, na recente Butantã Gibi Con finalmente o encontramos, e trouxemos para casa Tribunal – Justiça das Ruas. A nova capa ficou linda, aliás!
Carlos Baku e Walter Júnior

            É importante que se diga que Tribunal nada tem a ver com outro personagem dos quadrinhos brasileiros, tornado famoso graças ao filme de enorme sucesso. O Doutrinador, criação de Luciano Cunha, surgiu online em 2013 e somente tempos depois ganhou a notoriedade atual.

            Na entrevista que fizemos com Carlos para o Corujice Pop ele explicou que os personagens têm quase vinte anos, e que pretende em breve publicar novas histórias, ampliando o conceito original. A ideia é que onde a justiça falhar, em qualquer região do país, quatro pessoas irão se reunir para formar o Tribunal.

            E falando nisso, são eles: Júri, Juiz, Defensor e Carrasco.


            Não espere piedade ou tons de cinza nessa HQ de muita ação de violência. Em uma sociedade onde o estado não protege seus cidadãos e os corruptos e criminosos dominam o sistema, a justiça só pode vir através de figuras sombrias que tomaram em suas mãos o dever de julgar e punir os bandidos. E a HQ já começa com a morte justamente do antigo Defensor, que era um policial que foi traído por seus próprios colegas. E, como frequentemente acontece, um policial tombado não é motivo de notícias com tanta ênfase como quando é a polícia que abate os criminosos.

            Parece uma realidade que você conhece? Pois esse é mesmo o objetivo de Carlos Baku com seu grupo de anti-heróis. Seria de se esperar, claro, diante do atual boom de super-heróis brasileiros, que igualmente tivessem destaque personagens mais ambíguos.

            O Tribunal reuniu provas contra o assassino de Defensor e realizou seu justiçamento, mas a mídia o considerou um herói. No caso seguinte, a equipe localiza o cativeiro de uma vítima de sequestro salvando-a, e dando aos meliantes o que eles merecem.

            Outro caso de corrupção é resolvido pelo Tribunal a seguir, e é interessante ver como os criminosos sempre acham que todos têm seu preço. Não o Tribunal!


            Assim como outro policial honesto, que é salvo pelo Tribunal quando dois colegas corruptos o ameaçavam. Ele é convidado para ser o quinto membro da equipe, o Pássaro da Noite, o que zela por todos em suas missões. A HQ termina com as fichas de cada personagem, e os motivos de cada um deles ter se tornado um Tribuno. A origem do novo Defensor, por sinal, não pode ser contada neste horário!

            Ao amigo Carlos Baku parabenizamos pela criação, e pedimos que nos traga novas histórias o quanto antes! A ideia e a trama são muito legais, e dignas de uma adaptação como o foi o outro anti-herói que mencionamos. Recomendamos muito esta HQ e, como está lá escrito:


“O Tribunal busca justiça, quando a lei protege o lado errado da sociedade”

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

MIS: programação de férias + Fellini sonorizado ao vivo



MIS exibe mostra gratuita de filmes musicais nas férias
Sessões são promovidas pelo Educativo MIS e a programação inclui sucessos do gênero como ‘Hair’, ‘The Rocky Horror Picture Show’ e ‘Amor, sublime, amor‘

Como parte da programação paralela da exposição Musicais no cinema, em cartaz até 16 de fevereiro, o MIS – instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo – realiza a mostra Fora da caixa. As sessões, realizadas pelo Educativo MIS, têm entrada gratuita e integram a programação de férias do Museu. A mostra tem como objetivo exibir filmes com personagens que não se encaixam nas regras impostas pela sociedade e que precisam lidar com as consequências desse fato.

Confira abaixo a programação:

07.01| Hair (Dir. Milos Forman, EUA, 1979, 121 min, Comédia /Drama Musical, 16 anos)
Garoto de Oklahoma é recrutado para a guerra do Vietnã, conhece um grupo de hippies em Nova York, que lhe apresenta conceitos nada convencionais sobre comportamento e sociedade, e se apaixona por uma garota aristocrática.

15.01|The Rocky Horror Picture Show (Dir. Jim Sharman, 1975, Reino Unido, 100 min, Comédia musical, 18 anos)
Os namorados Brad e Janet têm um pneu furado durante uma tempestade e descobrem a misteriosa mansão do louco cientista Dr. Frank-N-Furter. Eles encontram uma casa cheia de personagens selvagens, incluindo um motociclista e um mordomo assustador.

21.01|Amor, sublime, amor/West Side Story (Dir. Jerome Robbins e Robert Wise, 1961, EUA, Drama musical, Livre)
Duas gangues, os Sharks, de porto-riquenhos, e os Jets, de brancos de origem anglo-saxônica, disputam a área, seguindo um código próprio de guerra e honra. Tony (Richard Beymer), antigo líder dos Jets, se apaixona por Maria (Natalie Wood), irmã do líder dos Sharks, e tem seu amor correspondido. A paixão dos dois fere princípios em ambos os lados, acirrando ainda mais a disputa.

28.01| Charity, meu amor/Sweet Charity (Dir.Bob Fosse, 1969, EUA, 149 min, Comédia / Drama Musical, 18 anos)
Charity é uma dançarina que vive se apaixonando pela pessoa errada, mesmo assim, insiste em ainda acreditar no amor. Até quando conhece um homem que desconhece sua profissão e quer se casar com ela.

04.02| O prisioneiro do rock/Jailhouse Rock (Dir. Richard Thorpe, 1957, EUA, Comédia / Drama Musical, Livre)
Enviado para a prisão após matar um homem acidentalmente, Vince Everett (Elvis Presley), resolve cantar atrás das grades. Um golpe de sorte coloca frente a frente, uma bela caçadora de talentos de uma gravadora, e Vince tem a oportunidade da sair da cadeia e se tornar um astro do rock.

Sobre a exposição Musicais no cinema
O MIS apresenta até 16 de fevereiro a exposição: Musicais no cinema. Concebida pelo Musée de la Musique – Philharmonie de Paris, a mostra traça um panorama sobre o universo do gênero musical no cinema nacional e internacional, desde os primórdios do cinema musicado até obras recentes, como o premiado La La Land (2016) e Rocketman (2019), cinebiografia de Elton John. A partir de fotografias, vídeos, cartazes, documentos de produção, figurinos e depoimentos, a exposição reúne filmes musicais de diferentes partes do mundo, destacando marcos para o gênero, como Cantando na chuva (1952), Amor, sublime amor (1961) e Dançando no escuro (2000). Musicais no cinema ainda destaca figuras importantes do gênero como Fred Astaire, Jacques Demy, Julie Andrews e John Travolta. A curadoria do Musée de la Musique é do pesquisador N. T. Binh, enquanto Duda Leite assina a curadoria brasileira. O jornalista e cineasta foi responsável pela adaptação para o MIS, acrescentando espaços e conteúdos inéditos baseados na cultura brasileira, como Esse mundo é um pandeiro, dedicado às chanchadas – subgênero bastante característico da produção audiovisual do Brasil, e uma área que homenageia a atriz e cantora Carmen Miranda.


S e r v i ç o
MOSTRA FORA DA CAIXA – MUSICAIS NO CINEMA
Data 15.01, 21.01, 28.01 e 04.02
Horário 14h
LOCAL Auditório MIS (172 lugares)
INGRESSO Gratuito - Retirada de ingressos 1h  de cada sessão
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA conforme o filme
Museu da Imagem e do Som – MIS
Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo| (11) 2117 4777 | www.mis-sp.org.br
Estacionamento conveniado: R$ 18,00. Acesso e elevador para cadeirantes. Ar condicionado.


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Cinematographo especial homenageia Fellini com
sonorizado ao vivo

Clássico do diretor italiano ganha sonorização exclusiva com a banda O Campo e a Cidade. A exibição acontece no dia 12 de janeiro, domingo, e os ingressos podem ser adquiridos no site da Sympla e recepção do MIS a partir de 07 de janeiro
 
 
A primeira edição do ano do Cinematographo do MIS, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, celebra os 100 anos do nascimento de Federico Fellini. O programa mensal do Museu traz o filme sonorizado ao vivo pela banda O Campo e a Cidade. Os ingressos, de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), começam a ser vendidos no dia 7 de janeiro, tanto na recepção do Museu quanto no site da Sympla.
 
Federico Fellini, um dos mais importantes cineastas da Itália, nasceu em 20 de janeiro de 1920, em Rimini, na Emília-Romanha, e morreu em 31 de outubro de 1993, em Roma. Naquele ano, venceu o Oscar Honorário pelo conjunto de sua obra. Entre seus filmes de maior sucesso destacam-se A Doce Vida, , Amarcord, Noites de Cabíria e A Estrada.

Sobre o filme
8½  (Dir. Federico Fellini, 1963, Itália/França, Drama, p&b, 138min, Digital, 14 anos)
Prestes a rodar sua próxima obra, o cineasta Guido Anselmi (Marcello Mastroianni) ainda não tem ideia de como será o filme. Mergulhado em uma crise existencial e pressionado pelo produtor, pela mulher, pela amante e pelos amigos, ele se interna em uma estação de águas e passa a misturar o passado com o presente, ficção com realidade.  O clássico atemporal de Federico Fellini foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro


Sobre a banda
A poética urbana dos guetos e o ritmo que viaja entre o rock latino e raízes brasileiras são a pegada do trio O Campo e a Cidade, formado pelo paraense Marcello Gabbay, o paulista Neto Rocha e o sergipano Tony Karpa. Os integrantes da banda vêm das artes cênicas, onde já assinaram trilhas sonoras originais em diversas linguagens. 

Marcello Gabbay é músico, pesquisador, professor universitário e autor de um livro sobre o carimbó da Ilha de Marajó. Como baixista, já acompanhou artistas da cena independente regional no Brasil e no exterior. Como compositor assinou trilhas de teatro, curta-metragem, performance e instalação.
Neto Rocha é músico e ator. Trabalhou em espetáculos de teatro no Rio de Janeiro, tendo se formado pela Casa de Artes de Laranjeiras, e depois na Escola Célia Helena de São Paulo. É autor de trilhas sonoras para teatro e musical.

Tony Karpa é baterista e professor de música. Atuou na cena punk de Sergipe, e em São Paulo acompanhou diversos artistas da cena independente. Atualmente é o baterista da banda Garotos Podres, além de professor e endosser de marcas de instrumentos de percussão.

Curso: Fellini: do realismo poético à criação de seu próprio mundo
Ainda em comemoração aos 100 anos de Fellini o MIS apresenta o curso Fellini: do realismo poético à criação de seu próprio mundo. Em quatro encontros, a partir do dia 22 de janeiro, o curso propõe uma exploração do universo lírico, psíquico e fantástico da vida e das principais obras do roteirista e diretor Federico Fellini, desde suas primeiras colaborações e filmes no pós-guerra até a abordagem de seu complexo processo criativo, imbricado de memórias, sonhos e fantasias. As inscrições podem ser feitas no site do MIS.

S e r v i ç o
CINEMATOGRAPHO Especial Fellini com
Data 12.01.120 (domingo)
HORÁRIO 15h
LOCAL Auditório MIS (172 lugares)
INGRESSO R$ 20 (inteira), R$10 (meia).  À venda na Recepção MIS à partir do dia 07.01.20 (terças a sextas, das 12h às 21h30h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h30) e no site)
www.sympla.com.br
CLASSIFICAÇÃO 14 anos
DURAÇÃO 138 minutos
Legendado - P&B - Digital

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Resenha: Mil Léguas Transamazônicas




            Minha história com esta magnífica HQ, cujo nome completo é: Uma Aventura de Verne & Mauá – Mil Léguas Transamazônicas - A Magnífica Viagem de um Banqueiro e um Escritor pelos Céus do Brasil, tem sido bem incomum. A partir de 2015, em vários eventos de quadrinhos aos quais compareci, sempre a encontrava em algum stand e sempre me chamava a atenção pela participação do mestre Julio Verne, nada menos que o Pai da Ficção Científica.

            Finalmente, no Festival Guia dos Quadrinhos de 2017, tomei vergonha na cara e a comprei, e claro que aproveitei para pegar os autógrafos dos autores, os mestres Spacca e Will. Vejam nossas fotos com eles para provar!

SPACCA
WILL
            Mas vida de escritor, jornalista e leitor não é fácil, a pilha de leitura foi aumentando, e nunca encontrava tempo de dar a atenção que o livro merecia. E calhou que, finalmente, neste 04 de dezembro de 2019, decidi lê-la.

            Estou completa e absolutamente encantado!

            Maravilhado!

            Embasbacado!

            Realmente, caí de amores por Mil Léguas Transamazônicas, tranquilamente uma das melhores histórias em quadrinhos que já li na vida! E, como este dia 04 foi meu aniversário, posso acrescentar que Will e Spacca me deram um senhor presente!

            Obrigado, mestres!

            Os dois autores escrevem prefácios para a HQ, e o de Spacca me chamou atenção quando Will, de quem foi a ideia original para a história, lhe indicou algumas leituras para compor o roteiro. Evidentemente, para escrever a história de uma aventura entre o escritor Julio Verne e o empresário Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá. E sim, como a maioria dos leitores também, infelizmente, pouco sei sobre esse brasileiro da segunda metade do século XIX que ousou buscar a excelência para modernizar o então Império.





            O livro indicado, aliás, Mauá – Empresário do Império, de Jorge Caldeira, da Cia das Letras, tem a seguinte sinopse:


“Pioneirismo, guerras, intrigas, reis e escroques: a carreira do visconde de Mauá (1813-1889) teve de tudo. Para montar a primeira indústria - um grande estaleiro e uma fundição em Niterói -, a primeira estrada de ferro e o primeiro banco a operar em grande escala no Brasil, ele teve de brigar contra uma sociedade provinciana, que considerava o feitor de escravos como o melhor gerente de recursos humanos.
Quando expandiu seus negócios em escala planetária, com dezessete empresas em seis países, aí sim vieram os grandes adversários. Banqueiros internacionais, ditadores latinos, políticos de alto coturno e figuras da sociedade passaram a fazer parte da luta diária do visconde, numa história que se confunde com a do próprio nascimento de um país chamado Brasil.”


            Sim, acabou de entrar na lista de leituras!

           Entre as cenas iniciais da história está uma conversa entre Julio Verne e seu editor, Pierre-Jules Hetzel. Logo passa para os problemas domésticos do escritor, quando ele recebe a visita do Barão de Mauá propondo uma aventura pelos céus do Brasil, a fim de instituir uma companhia de navegação aéreo-fluvial. Para o espantado Verne, Mauá revela que se inspirou em sua obra para construir o Uirapuru, navio com capacidade de voo que o escritor via somente como ficção.


            Concretiza-se então o que Hetzel havia previsto duas páginas antes: “os cientistas do amanhã lerão seus livros, e sua obra despertará vocações”. Antes, o editor havia dito que “a ciência liberta”.
           
Já começa a ficar claro porque caí de amores por Mil Léguas Transamazônicas, não é?

            Mas assim que nossos heróis iniciam a viagem da Europa para o Brasil já descobrimos que Mauá tem muitos inimigos, que não toleram sua independência, seu sucesso, e sua postura totalmente contrária a Guerra do Paraguai. Ou seja, nosso país não mudou tanto assim de 1865 para cá... Eles chegam ao Rio de Janeiro, Verne inadvertidamente conhece o Dr. Semana, maquiavélico repórter que tem muitos contatos com o governo do Império e é um ferrenho inimigo do Barão.

            Mas este está preparado, e nem mesmo uma batida da polícia é capaz de descobrir a grande novidade. E, finalmente, durante o desfile de carnaval, o Uirapuru decola para sua epopeia! No caminho eles acolhem um tripulante involuntário, Angelo Agostini, pioneiro nas caricaturas e críticas contra a elite e o governo no Segundo Império, e a HQ ainda menciona seu jornal Diabo Coxo, que existiu entre 1864 e 1865. Depois de fugir dos paraguaios em Corumbá eles são ajudados pelos índios Bororós, enquanto os inimigos de Mauá tramam no coração do Império.

            Julio Verne expõe a eles as diversas lendas sobre as guerreiras Amazonas, enquanto é aprovada uma lei abrindo a navegação pelo Amazonas para as companhias estrangeiras. E prejudicando aquelas brasileiras, no caso, as de Mauá. Mas o Barão tem experiência naquelas disputas, e um estranho artefato os coloca na pista das Amazonas.

            Após um inesperado confronto com inimigos estrangeiros, eles são recebidos pelas legendárias guerreiras, fazendo espantosas descobertas. Mauá, Verne e Agostini finalmente se despedem, retornando para suas atividades particulares e prometendo uma nova aventura. Onde será? Império Russo? Na Lua? No fundo do mar?

            Acontece um epílogo na página final, mas dele nada descreverei. Só digo que não existe a palavra Fim, o que a nós, criadores e sonhadores, abre um universo de possibilidade! No texto de Laudo Ferreira, roteirista e desenhista, que vem a seguir, ele chama Verne e Mauá de empreendedores do futuro, daquele que devemos acreditar e ter fé. Apostar no melhor do ser humano, de que há muito mais adiante, resumindo: “uma boa aventura, aquela que nos deixa com uma absoluta sensação de fé e esperança no melhor que o ser humano pode trazer e levar adiante”.

            Duas belíssimas páginas de extras, com um pôster do Uirapuru que, em tamanho grande, eu adoraria ter na parede do meu quarto, e a evolução da produção de uma página, desde o roteiro de Spacca até os sucessivos tratamentos de Will, completam essa edição preciosa, lindíssima, e deliciosa de ler!

            Fazia muito tempo que não me sentia assim após uma leitura, de alma lavada, e com o sentimento descrito acima. Isso é tudo que um autor almeja que seus leitores sintam, e só tenho a agradecer aos mestres Spacca e Will por essa maravilhosa aventura!

            Quero mais! Muito mais!





segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

RESENHA: Passageiro para Frankfurt: o alerta de Agatha Christie



“– O idealismo – disse Lord Altamount – pode assomar e de fato geralmente assoma quando instigado por um natural antagonismo à injustiça. Trata-se de uma natural repulsa ao crasso materialismo. O natural idealismo da juventude é alimentado cada vez mais por um desejo de destruir essas duas fases da vida moderna, a injustiça e o crasso materialismo. O desejo de destruir o que é maligno por vezes acarreta o amor à destruição apenas em nome da destruição. Pode levar ao prazer da violência e à inflição da dor. Tudo isso pode ser nutrido e fortalecido de fora por pessoas dotadas de uma natural capacidade de liderança. O idealismo original surge num estágio pré-adulto. Ele deveria e poderia levar a um desejo por um novo mundo. Deveria também levar a um amor por todos os seres humanos, à boa vontade em relação aos outros. Mas aqueles que aprenderam a amar a violência pela violência jamais se tornarão adultos. Ficarão fixados em seu próprio desenvolvimento retardado e assim permanecerão durante a vida toda”.

Como leitor apaixonado e também como autor, sempre me surpreende quando outro escritor consegue prever o futuro. Já tive a felicidade, ou o terror, de constatar em nossa realidade ecos do que já havia posto em minhas histórias. No meu blog Escritor com R estão disponíveis todos os contos da fase inicial de meu Multiverso da Lista, publicados na saudosa revista Sci-Fi News. Neles, entre outras coisas, critiquei regimes totalitários e toda a forma de censura, inclusive aquela mais sub-reptícia, que defende a higienização de obras que alguns enxergam como “preconceituosas”.

E em ao menos duas ocasiões vi indivíduos do meio político atacando a “infiltração da cultura estrangeira”, ou “o ataque de gêneros musicais que usam obscenidade”, também, de certa forma, “previstos” nas histórias dA Lista. Como escrevi, por um lado fico feliz, e por outro apavorado.

A falta de liberdade e a censura nunca começam com o candidato a ditador da vez anunciando o que vai fazer. Sempre é em nome do que é justo e belo, para proteger as pessoas delas mesmas. “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, frase atribuída a Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos.

O trecho que abre este texto é do livro Passageiro para Frankfurt, de Agatha Christie. Fiquei muito surpreso ao descobrir que muitos consideram esse seu pior livro. Pesquisando a respeito, descobri que se trata de uma história de espionagem a fim de desvendar uma grande conspiração de alcance mundial, coisa que, claro, muito me interessa, e isso me incentivou a lê-lo.

Confesso, é o segundo livro da Rainha do Crime que leio. O primeiro foi Assassinato no Expresso Oriente. Passageiro para Frankfurt foi lançado em 1970, sendo um dos últimos livros de Agatha. Conforme li em outra resenha, a que me incentivou a lê-lo, ele é tanto uma celebração dos oitenta anos de nossa amada autora, quanto um alerta para coisas que ela via acontecer no mundo e não gostava nem um pouco.

Surpreendentemente, diante da atualidade inegável da trama, o livro nunca foi adaptado para outras mídias. Começa com o diplomata Stafford Nye aguardando sua conexão no Aeroporto de Frankfurt quando é abordado por uma bela jovem dizendo que sua vida está em perigo. Nye não progride na carreira, pois sua rebeldia e irreverência atrapalham, mas tais características são o que o fazem aceitar a insólita proposta da mulher.

Os acontecimentos se atropelam, ele é chamado para se explicar no corpo diplomático, sua tia Lady Matilda Cleckheaton lhe dá conselhos e insinua a existência de um complô mundial, e finalmente ele encontra novamente a garota misteriosa na ópera.

Aliás, para mim Lady Matilda é a melhor personagem do livro. Algumas vezes a vejo como o alter-ego da própria Agatha Christie!

Ela se apresentou no aeroporto como Mary Ann, mas seu nome verdadeiro é Condessa Renata Zerkowski. Renata o leva à reunião de um grupo de pessoas poderosas, que descrevem como inúmeros tumultos eclodindo pelo mundo são elementos de uma conspiração para tomar o poder mundial. Logo fica claro que a origem da trama é originária do nazismo.

Agatha explora as teorias malucas de que Hitler teria fugido para a Argentina, e descreve a escalada dos tumultos ao redor do mundo com dramaticidade cada vez maior. Naturalmente, estes foram inspirados nos tais movimentos estudantis, principalmente os de 1968 na França, que a autora indiscutivelmente não via com bons olhos. E afinal, estes resultaram no quê?


Ao mesmo tempo, a Dama critica ainda a inação e passividade da velha guarda da política, que não foi capaz de lidar com a rapidez das mudanças no mundo. Releiam o trecho destacado no começo. Não parece exatamente o que tem acontecido em nosso mundo hoje, inclusive no Brasil?

A mesma hipocrisia de defender causas sociais, a diversidade e a pluralidade, mas combater ferozmente a pluralidade de opiniões. A mesma violência pela violência, o mesmo pouco apreço às instituições sem as quais só há dois caminhos: ditadura ou barbárie.

Agatha Christie questiona, em Passageiro para Frankfurt, se a prometida sociedade mais livre e sem regras do final dos anos 1960 de fato melhorou o mundo. E claramente aponta que, em sua opinião, não. Naquela época e hoje, por exemplo, “ser jovem”, “resistir”, significam que cada um pode fazer suas próprias escolhas? Ou o que é mostrado como “liberdade” é na verdade a obrigação de anular sua própria individualidade para obter permissão de fazer parte do grupo?

O livro até navega pela mesma trilha de Laranja Mecânica, quando se abre a possibilidade de recorrer a um processo científico de mudança de comportamento das pessoas, tornando-as benevolentes e preocupadas com o próximo. Aí também, claro, a Dama critica as velhas elites, que falharam em criar, nesse mundo em cada vez mais acelerada transformação, as possibilidades do maior número possível de indivíduos realizarem e desenvolverem seus potenciais.

Ela ainda aponta que, tanto na época de sua escrita, quanto na ascensão do nazismo nos anos 1930, e até em nossa época, certas elites poderosas manipulam o desejo das mudanças precisamente para que nada mude, e as mesmas velhas figuras continuem a assombrar os corredores do poder.

Por sinal, uma das coisas que mais adorei sobre esse edição da L&PM foi a introdução A Autora Fala, onde Tia Agatha (às vezes a chamo assim) comenta sobre seu processo de criação. Ela afirma que tira as ideias de sua própria cabeça, e que seus personagens igualmente são fruto de sua imaginação. Além disso comenta: “Se uma ideia em particular parece atraente, se você sente que poderia fazer alguma coisa com ela, então você a joga de um lado ao outro, faz alguns truques com ela, vai desenvolvendo e aparando essa ideia, e aos poucos lhe dá uma forma. Aí, é claro, você precisa começar a escrever. Isso não é nem de longe uma boa diversão: a coisa vira trabalho duro”. O cenário, no entando, ela considerava que está fora do autor ou autora, que é interessante você visitar lugares e observar situações para buscar inspiração. E termina dizendo: “Podemos conjeturar uma causa fantástica? Uma Campanha Secreta pelo Poder? Pode um desejo maníaco de destruição criar um novo mundo? Podemos ir um pouco mais longe e sugerir a libertação por meios fantásticos, que soam impossíveis? Nada é impossível, a ciência nos ensinou isso. Esta história é, em essência, uma fantasia. Não pretende ser nada mais. Mas a maioria das coisas que acontecem nela estão acontecendo, ou prometendo acontecer, no mundo de hoje. Não é uma história impossível – é apenas uma história fantástica”.

Obrigado, tia Agatha!


Passageiro para Frankfurt não é um livro fácil, e muito provavelmente muitos não o apreciem por não trazer os personagens preferidos da maioria, como Miss Marple ou Hercule Poirot. E também por fugir dos padrões que a própria Agatha estabeleceu em sua obra, e aí já entramos novamente no assunto da liberdade. Uma escritora, no caso, ou um escritor, pode e deve experimentar e fazer diferente. E buscar em suas ansiedades, seus medos e expectativas, é sempre um bom lugar para encontrar ideias para uma trama.

E a ansiedade de Agatha Christie, em Passageiro para Frankfurt, é sem dúvida enorme. É muito claro que ela sentia o peso de seus quase oitenta anos na época, e também não gostava nem um pouco do mundo que estavam criando. Alguns chamam esse livro de seu testamento, e eu digo que foi um enorme prazer lê-lo. Não é daquelas obras fáceis que você lê e coloca de lado, mas sim um livro que faz pensar, se mantém surpreendentemente atual, e serve como um alerta a respeito do que estamos fazendo com o mundo e com as outras pessoas.

É sem dúvida um chamado de atenção para criarmos um mundo autenticamente mais tolerante, uma responsabilidade que reside em cada um de nós.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Batman continua no mesmo Bat-local até 02/02!!!!!





Devido ao grande sucesso,
a “Batman 80 – A exposição” anuncia prorrogação de permanência!
De 17 de dezembro até 2 de fevereiro de 2020 * no Memorial da América Latina

As férias escolares e de fim e começo de ano ficarão mais divertidas, a inédita Batman 80 – A exposição, que celebra 80 anos de um dos personagens mais famosos do mundo,  anuncia prorrogação de permanência até 2 de fevereiro de 2020, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

A exposição, criada em parceria com a Warner Brasil, é uma realização da Chiaroscuro Studios, maior agência de representação de quadrinistas do mundo e cofundadora da CCXP Comic Con Experience; da Caselúdico, empresa especializada na criação e execução de exposições imersivas, tendo no currículo exposições de grande sucesso como Castelo Rá-Tim-Bum, Tim Burton, Expo Mickey 90 e Quadrinhos; e Spoladore Eventos, que atua na produção da CCXP Comic Con Experience, Expo CIEE (maior evento estudantil da América Latina), Festival Unhide (um dos maiores festivais de Digital Art do mundo), Olimpíadas Rio 2016, entre outros eventos pelo Brasil. E o Memorial da América Latina, que já recebeu diversas exposições de enorme sucesso de público e que comemora 30 anos em 2019, foi o local escolhido.

Se ainda não foi, se organize - Quem for ao Memorial da América Latina, poderá atravessar as portas da Mansão Wayne, conhecer a Batcaverna, visitar o Asilo Arkham, o apartamento da Mulher-Gato e o covil do Coringa, e ainda desfrutar da cenografia e dos mais de 500 itens originais do acervo de Marcio Escoteiro, um dos maiores colecionadores de Batman do Brasil, e de Ivan Freitas da Costa. Além disso, os visitantes podem acessar um vasto conteúdo que aborda a evolução e a importância deste ícone que reúne fãs no mundo inteiro.

Ainda rola compras de Natal na Loja oficial – E depois da experiência pelo universo do Homem-morcego, é possível aproveitar para levar de lembrança algum item do acervo incrível do universo do super-herói como canecas exclusivas, camisetas, relógios, buttons, posters, imãs, guarda-chuvas, além de edições limitadas, criadas exclusivamente para a exposição. Os produtos custam a partir de R$ 10,00.

Batsense - Além de todo o conteúdo disponível ao longo dos ambientes da mostra, a Batman 80 – A exposição conta uma área externa criada especialmente para alcançar os três pilares da deficiência - auditiva, visual e motora. “É a primeira vez que uma iniciativa como esta acontece em uma exposição de entretenimento desse porte. Geralmente, este tipo de acesso é utilizado apenas em museus”, afirma Rodrigo Ovelha, produtor e consultor de acessibilidade e responsável pela concepção do espaço.

Praça de alimentação - O espaço conta com uma área de alimentação anexa tematizada para expandir a experiência da expo.

www.batman80expo.com.br
Facebook.com/batman80expo
Instagram.com/batman80expo
#batman80expo

Serviço: Batman 80 – A exposição – NOVOS HORÁRIOS
Data: até 02 de fevereiro de 2020
Local: Memorial da América Latina | Espaço Multiuso | Portões 8, 9 e 13
Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664 (Zona Oeste), São Paulo, SP, 01156-001
Estação Barra Funda do Metrô
Horários:
Terça a Sexta: das 12h às 20h
Sábados, Domingos e Feriados: das 9h às 20h
Estacionamento pago no local

Datas que a expo estará fechada:
Natal: 24 e 25 de dezembro de 2019
Ano Novo: 31 dezembro de 2019 e 01 de janeiro de 2020

Ingressos:
Terça a Sexta: R$ 35,00 inteira e R$ 17,50 meia
Sábados, Domingos e Feriados: R$ 45,00 inteira e R$ 22,50 meia
Meia-entrada para estudantes, idosos, professores e portadores de necessidades especiais conforme legislação vigente
Entrada gratuita para crianças até 4 anos
Ingressos com hora marcada à venda no site www.batman80expo.com.br E na bilheteria do Memorial só a partir do início da exposição, dia 05/09/19.

Sobre a Warner Bros. Consumer Products (WBCP) – É uma divisão de licenciamento da Warner Bros. Entertainment Company, desenvolve produtos e experiências com o poderoso portfólio de marcas e franquias de entretenimento do estúdio para alegrar a vida de fãs em todo o mundo. A WBCP tem parcerias com as melhores empresas licenciadas do mundo em uma gama premiada de brinquedos, moda, cuidados pessoais, decoração e publicações entre outros segmentos de produtos inspirados em franquias e propriedades como DC, Wizarding World, Looney Tunes, Scooby Doo e Hanna-Barbera. A divisão de Global Themed Entertainment inclui experiências inovadoras como o Mundo Bruxo de Harry Potter e o novo parque indoor Warner Bros. World Abu Dhabi. Com inovadores programas globais de licenciamento e merchandising, iniciativas de varejo, parcerias promocionais e experiências temáticas, a WBCP é uma das principais organizações de licenciamento e merchandising de varejo do mundo.

Sobre a DC - Casa de icónicas marcas (Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Aquaman, The Flash, Lanterna Verde), DC Vertigo (Sandman, Fables) e MAD, a DC é a divisão criativa responsável por integrar estrategicamente seu conteúdo através da Warner Bros. e WarnerMedia. A DC trabalha em conjunto com outras divisões chaves da Warner Bros. para difundir suas histórias e personagens em todas as mídias, incluindo, mas não limitado a cinema, televisão, produtos licenciados, home entertainment e jogos interativos. A publicação de milhares de histórias em quadrinhos e revistas a cada ano fazem da DC é a maior editora de quadrinhos em língua inglesa de todo o mundo.